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21 outubro 2008

Argelia, suas plantas e jardins


As plantas da Argélia

Todos os paises, culturas e sociedades vivem as suas ruas de uma forma. Alguns paises notadamente os mediterrâneos e aqueles que na sua formação e composição reúnem alguns dos seus componentes, fazem das ruas o seu espaço de convívio.

Nestes casos a arborização adquire uma dimensão especifica e própria. Argélia, com as suas características tipicamente mediterrâneas, faz das suas ruas espaços vivos, as suas calçadas recebem a sombra refrescante no verão de centenas de arvores, surpreende ainda mais que a manutenção cuidada e criteriosa, o fato que a maioria destas arvores tenham sua origem no continente americano, alem de Parkinsonias e Phitolacas, a paisagem urbana é dominada também e principalmente por Fícus, as figueiras tomam conta de ruas e praças, para com seu verde, oferecer uma condição única e especial.

Entre as palmeiras, alem das tradicionais Tamareiras, nativas do norte da África, os Arecastrum, os nossos conhecidos Jerivás, conformam a paisagem urbana, de todas as cidades Argelinas, desde Oran a Bejaia, desde Argel a Tipaza.

Ao viajante menos curioso, não chama tanto a atenção, nem a variedade, nem o cuidado na manutenção, nem as podas bem feitas e regulares. Chama à atenção a sombra, o verde, a qualidade de vida, que a arborização urbana proporciona. Chama a atenção como as pessoas valorizam o resultado de um trabalho bem feito.

A riqueza e a variedade da vegetação que forma as praças e jardins de Argélia, tem sua origem no Jardin d’Essai, maravilhoso jardim botânico, construído ao longo de séculos, durante os quais recebeu e aclimatou plantas e flores de todo o mundo, para depois de estudá-las e cultivá-las, poder introduzi-las em parques, praças e jardins. É no jardim botânico de Argel, que é preciso buscar o responsável, pela rica variedade da vegetação que forma o verde urbano argelino. A tradição dos jardins árabes ganha em Argel a sua face mais rica, em contraste com a aridez do deserto o verde dos jardins, representa um oásis para o corpo e principalmente para o espírito.

25 fevereiro 2008

As ruas da Argélia


Tive oportunidade, por motivos de trabalho de conhecer algumas cidades da Argélia, alem claro de Argel a capital, surpreende ao visitante o cuidado e a atenção com as ruas, praças e jardins tanto os públicos, como os privados.
Entre as plantas que formam o verde urbano, algumas velhas conhecidas nossas, é comum encontrar Jerivás ( Syagrus romanzoffianum ) Tipuanas ( Tipuana tipu ) alem de Lantanas ( Lantana camara ), Paraiso ( Melia azederach) entre outras muitas, que dão vida e cor a paisagem árida de um pais do norte africano.
Alem do cuidado e da manutenção esmerada, que não estamos mais acostumados a ver por aqui, desde a saudosa gestão do prefeito Wittich Freitag. As plantas e especialmente as arvores são regularmente podadas, mantendo desta forma o seu porte e as suas características, não representando nenhuma ameaça nem para veículos, nem para pedestres.
Algumas ruas e praças de Argel, estão arborizadas com Figueiras, os mesmos fícus, que as nossas autoridades, condenam e como os arautos papais da época das cruzadas, querem erradicar. Pensei ao ver as primeiras figueiras cuidadosamente podadas, com um verde vivo, intenso, que o destino estava brincando comigo, eu quer tinha saído de Joinville, com as figueiras na cabeça, as encontrava de novo e desta vez bem longe de casa. Parei o carro e fiz uma fotografia.
Seguindo viagem, cheguei a Tipaza e Cherchell, na época do império romano, denominadas Cesárea, um dos mais importantes centros econômicos do mediterrâneo, com coliseo, templos, banhos e toda a infra-estrutura urbana que caracterizava as cidades romanas, inclusive esgoto e água. O parque que rodeia as importantes ruínas romanas, também estava arborizado com figueiras, que forneciam uma sombra agradável a famílias completas que aproveitavam o sol de inverno para passear. A mesma sombra que as mesmas figueiras proporcionavam aos cidadãos de Bedjaia, uma linda cidade portuária, que tem as ruas e praças arborizadas com as mesmas figueiras, compartilhando
Como nas ruas de Oran, como as de cada uma das cidades que tive oportunidade de percorrer e conhecer. As mesmas figueiras compartilhando espaço com Jerivás, Tipuanas, Paraísos e Tamareiras.
Aqui temporariamente, o prefeito aceitou mante-las, ainda que deixando no ar uma velada ameaça.
Para quem não tem oportunidade de ir a Argélia, uma recomendação visitar na rua Papa João XXIII as figueiras que o SESI mantem, com o mesmo cuidado e capricho que os argelinos tem com as suas.





Publicado no AN Cidade