

Viajei a trabalho a Bolívia e Peru, uma das cidades visitadas é Cochabamba. Não é o que poderíamos chamar uma cidade bonita. Chegando de avião chama à atenção a aridez da paisagem do altiplano andino, quase sem árvores, no começo do outono os pastos começam a amarelar e as poucas árvores perdem a intensidade do verde.
Cochabamba porem surpreende ao visitante, as ruas arborizadas, as suas praças e espaços públicos, contrastam com a primeira impressão, na Avd. Ballivian, que todos conhecem pelo nome de Paseo El Prado, uma rua arborizada com quase um quilometro de extensão que inicia e conclui em grandes praças, com um enorme canteiro central, calçadas largas, com coretos, pergolados, um piso confortável e seguro para pedestres, jardins bem mantidos, árvores podadas, canteiros com flores e grama.
Nada sofisticado, bem cuidado e limpo, com um capricho que chama a atenção de quem já quase esqueceu o que pode ser um espaço publico bem mantido. Aos domingos a população ocupa o passeio, pais empurrando os carrinhos dos bebes, crianças com bicicletas e triciclos, casais de diversas idades caminhando devagar. Aqui e acolá grupinhos de adolescentes barulhentos.
Nós nem podemos sonhar com algo parecido, todo o projeto de parques e praças que Joinville planeja ter para as próximas décadas, são espaços áridos, sem verde, sem flores, sem vida e quase sem árvores. Espaços projetados de costas para as pessoas. Construções caras em que domina o cinza do concreto e o abandono dos espaços sem vida, que a população na sua sabedoria, refuga e ignora.
Em quanto os políticos, os de antes e os de agora, se esforçam em querer nos convencer que teremos parques e espaços públicos para o lazer, para caminhar ou para paquerar, eu fico com saudade do Paseo El Prado em Cochabamba.
E porque Cochabamba? Porque se falo de Paris, Munique ou Barcelona, sou acusado de elitista e sonhador, então busco exemplos menos sofisticados e também são melhores que a nossa realidade.