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06 agosto 2025

Profissionalizar é o único caminho


Durante o mês de julho, Holambra foi palco de mais uma edição da Garden Fair, evento que vem se consolidando no calendário do setor com crescimento notável em estrutura, conteúdo e público. Um dos destaques foi o congresso "Paisagismo para Todos", que mais uma vez se firmou como um importante ponto de encontro para profissionais e entusiastas do paisagismo.

Arquitetos, agrônomos, biólogos, paisagistas, jardineiros e profissionais de áreas correlatas reuniram-se para debater caminhos, compartilhar experiências e fortalecer o mercado. Nesta edição, um tema emergiu com força: a urgente necessidade de profissionalização no setor.

O mercado está mais exigente, técnico e competitivo. Para se destacar, é essencial que os profissionais estejam preparados, com domínio de diversas disciplinas que compõem o universo do paisagismo — do planejamento à execução, do conhecimento botânico ao entendimento das necessidades do cliente.

O congresso proporcionou um espaço verdadeiramente plural, onde profissionais renomados, com décadas de experiência, dividiram o mesmo ambiente com iniciantes, estudantes e curiosos. Esse ambiente de troca, acessível e democrático, é um dos maiores ativos do evento: todos aprendem, todos ensinam.

Mas participar vai além de assistir às palestras. É preciso mergulhar no conteúdo oferecido, frequentar os workshops, visitar os estandes da feira, conversar com os expositores, fazer perguntas e ouvir com atenção. Em um setor em constante evolução, ninguém tem todas as respostas — e, muitas vezes, ainda não formulamos as perguntas certas.

Um bom congresso é aquele que nos provoca. Aquele do qual saímos com mais dúvidas do que certezas, impulsionados pelo desejo de saber mais. O conhecimento é um processo contínuo, e é nele que reside o verdadeiro motor de crescimento do setor.

Hoje, é inegável: o paisagismo ainda representa um dos elos mais frágeis da cadeia de flores e plantas ornamentais.

Enquanto a produção se profissionalizou de forma significativa nas últimas décadas, o paisagismo e a jardinagem ainda convivem com realidades desiguais — profissionais altamente capacitados atuando lado a lado com outros sem a formação necessária. E o prejuízo, muitas vezes, recai sobre o cliente, que só percebe a má execução quando o jardim já está pronto e o investimento, perdido.

Quando um projeto mal feito compromete a imagem do setor, todos pagam a conta. Por isso, a valorização da capacitação deve ser uma bandeira de todos nós.


Que possamos continuar estudando, trocando experiências, participando de congressos e apoiando eventos que promovam o desenvolvimento do paisagismo. Um mercado mais profissional, mais técnico e mais ético é, sem dúvida, melhor para todos.

31 janeiro 2012

Regulamentação da Profissão de Paisagista - Carta Aberta



Na qualidade de conselheiro da ANP – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PAISAGISMO, venho a público no intuito de esclarecer o seguinte: os profissionais que projetam e/ou implantam áreas verdes sempre precisaram dominar diferentes técnicas ou ciências como: biologia, botânica, silvicultura, agronomia, fitogeografia e topografia.

Esses conhecimentos mencionados eram suficientes até o início do século XX, quando a população mundial era de 1.650 milhões de habitantes. Hoje somos sete bilhões de seres humanos, dos quais 83,3% da população brasileira, habitando centros urbanos. Por esse motivo é necessário igualmente, possuir conceitos e teorias que organizem os espaços de forma a adequar o paisagismo a realidade urbanística, assim como também, as tendências sociológicas de cada metrópole. O conhecimento intelectual da arquitetura, do urbanismo e da história é fundamental, como são essenciais a sociologia, a psicologia, o folclore e por que não, as crenças religiosas de cada região onde a área verde será inserida.

Fico esperançoso frente à possibilidade de que, em um futuro próximo, o arquiteto paisagista possua uma formação que lhe dê conhecimentos para lidar melhor com a realidade de um país que precisa levar em conta, por questões climáticas e fitogeográficas, sua vegetação e sua fauna. Para isto, além dos fundamentais aprendizados que as faculdades de arquitetura colocam à disposição de seus formandos, o arquiteto paisagista deverá ter conhecimentos de: morfologia vegetal, dendrologia, geobotânica, ecologia, climatologia, edafologia, fitopatologia, além das práticas necessárias que o habilitem a entender uma paisagem urbana cada vez mais carente de vegetação e saturada de uma arquitetura impiedosa, que condena homens e mulheres a uma existência terrivelmente artificial e desumana.

Finalizando, preciso deixar clara minha posição frente à reserva de mercado pretendida pelos responsáveis nos projetos de arquitetura. Estes profissionais são obrigados a responder pelo desenho da área habitada; focando suas atividades no planejamento compreendido por um espaço delimitado, ja seja por paredes ou por fronteiras físicas. Em contrapartida o paisagista trabalha com a grandiosidade do horizonte, sem balizar seu olhar com restrições ou demarcações confinantes. Seu pé direito é o ceu, o final do terreno, o espaço prorrogado e a luz, um sol generoso que ilumina com nuances diferentes a cada dia.

O paisagista pouco sabe sobre argamassas, entretanto o arquiteto nada aprende, na faculdade, sobre taxonomia das plantas. Cada profissional, cada especialista no seu devido lugar, sem interferir, imiscuindo-se em coisas para as quais não foi instruído.

Para adesão e mais informações: www.anponline.com.br

Raul Canovas




04 fevereiro 2009

Paisagem construída


O trabalho do paisagista e propor paisagens. Partir numa viagem perseguindo paraísos e reproduzir, reinventar estas paisagens imaginarias ou reais.
O homem desde tempo imemorial anseia voltar ao paraíso que perdeu. A construção de jardins é um intento de recuperar este sonho eterno e inalcançável. De voltar ao paraíso.
É preciso um trabalho constante de pesquisa, um analise profundo dos desejos e sonhos de cada cliente, o estudo do local e a partir destes elementos imaginar quais as alternativas possíveis e as impossíveis.
A paisagem imaginaria muda constantemente.O imaginário de cada sociedade, de cada geração e de cada um de nós muda e se enriquece com cada experiência, com cada novo desafio.
Imaginamos jardins românticos, canteiros multicoloridos, formas, texturas, paisagens utilitários, espaços fechados, delimitados por muros e cercas e espaços abertos, infinitos, inesgotáveis. Espaços para o lazer ou para a contemplação.Coletivos ou intimistas. Espaços e paisagens sob medida para cada um de nos.
Cada trabalho é um novo desafio, cada projeto exige novos conhecimentos e envolve profissionais de áreas mais complexas. Quanto mais perto queremos chegar da perfeição da natureza, maiores as dificuldades. Ambientes construídos oferecem alternativas novas, a criação de paisagens efêmeras, irreais, insustentáveis, concebidos como um decorado é uma alternativa que ganha força. Eterno ou efêmero.

28 março 2008

Paisagista x Jardineiro


Muitas vezes quando um cliente procura o escritório para solicitar um serviço, mostra uma certa preocupação, sem saber direito qual a diferença entre o paisagista e o jardineiro.

O paisagista é o profissional que, tem uma formação acadêmica especifica, e que projeta parques e jardins, do mesmo modo que o arquiteto projeta casas e edifícios. O resultado da contratação de um paisagista, será um projeto, ou um plano mestre, ou uma planta executiva, de acordo, com o tamanho e a complexidade da área e do trabalho a realizar.

O jardineiro, é o executor deste trabalho, o construtor do jardim, que fará realidade o projeto. Do mesmo modo que precisaremos contratar um construtor ou uma empreiteira de mão de obra, para construir o projeto do arquiteto. Precisaremos do trabalho de um jardineiro ou de uma empresa de jardinagem, para executar o jardim.

São dois profissionais diferentes, que em geral trabalham muito próximos, do resultado desta parceria surgem os melhores trabalhos, unindo as boas praticas e a experiência técnica da jardinagem e o conhecimento do paisagista.

Do respeito entre os dois, resultara o melhor jardim para o cliente e especialmente, um trabalho de qualidade que permanecerá durante anos.