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11 dezembro 2024

Como Nasce um Projeto de Paisagismo

 

A criação de um projeto de paisagismo é um processo que, embora possa parecer simples e direto para alguns, geralmente envolve uma jornada complexa, meticulosa e criativa. A inspiração espontânea pode surgir em certos momentos, mas no dia a dia de um escritório profissional, o que se destaca é a soma de experiência, estudo, pesquisa e inúmeras tentativas e ajustes que culminam em soluções que atendem a todas as necessidades do cliente e do espaço.

O caminho para um projeto bem-sucedido exige uma abordagem estruturada. É comum que iniciantes, ansiosos por resultados rápidos, comecem pelo fim, escolhendo plantas antes mesmo de definir a concepção geral do espaço. No entanto, essa inversão de etapas pode comprometer a harmonia e a funcionalidade do projeto. Em nosso escritório, preferimos construir o projeto "desde o alicerce", acrescentando camadas de definição e detalhamento a cada etapa. Isso significa que, muitas vezes, revisamos e ajustamos elementos que pareciam definidos – trocando, por exemplo, uma árvore ou arbusto por outro mais adequado ao conjunto.

O ponto de partida: a integração com a arquitetura


O primeiro passo de qualquer projeto de paisagismo é estudar o projeto arquitetônico e entender o entorno. É aqui que definimos as relações que desejamos estabelecer: integração ou separação de ambientes? O paisagismo deve funcionar como uma ponte entre o construído e o natural, criando vínculos visuais e funcionais.

Frequentemente, enxergamos o jardim como uma extensão dos espaços internos, favorecendo a transição fluida entre ambientes. Essa visão permite que o verde invada a casa por portas e janelas, trazendo frescor e conexão com a natureza. A interação entre os projetos de arquitetura e paisagismo, nesse momento, é essencial para garantir essa harmonia.

Materializando ideias



À medida que avançamos no processo, o projeto vai ganhando forma. Materiais, texturas e cores são definidos, dando corpo às ideias iniciais. A escolha da vegetação, antes vista como algo puramente estético, revela-se um exercício técnico que considera clima, localização, insolação, sombreamento e outros fatores específicos do espaço. Tamanho de floreiras, profundidade de canteiros, beirais e outras estruturas exigem soluções criativas que conciliem beleza e funcionalidade.

Os detalhes que fazem a diferença

Na fase final, o projeto executivo é elaborado com um alto nível de detalhamento. Ele inclui plantas técnicas, especificações de materiais, quantitativos, fichas técnicas e manuais de implantação e manutenção. Cada etapa é acompanhada de perto, garantindo que a execução seja fiel ao que foi concebido no papel.

No paisagismo, o processo criativo é tão importante quanto o resultado. O sucesso de um projeto não está apenas na beleza do jardim pronto, mas na sua capacidade de responder aos desafios, integrar ambientes e oferecer experiências únicas e memoráveis aos seus usuários. Afinal, um bom paisagismo é mais do que um complemento estético: é um elemento vivo, que evolui e transforma os espaços ao seu redor.



11 junho 2024

Projetamos para as pessoas




Projetar um jardim é antes que qualquer outra coisa projetar para as pessoas. Criamos espaços para serem vividos, para reaproximar as pessoas da natureza. Este desafio é ainda maior quando o projeto está num ambiente urbano. O verde deve ser o contraponto ao cinza, a suavidade que envolve a dureza, as formas que abraçam e acolhem.

O K Platz é um empreendimento desenvolvido em uma quadra no município de São José, em Santa Catarina, composto por quatro torres que incluem um hotel, edifício corporativo e edifícios residenciais. O projeto de paisagismo desenvolvido em parceria com o escritório Rita e Mantovani é o resultado de um trabalho de cooperação entre os diversos profissionais e o cliente W Koerich Imoveis.  

Criando um Oásis Humano: Projetando Paisagismo Centrado nas Pessoas

Um convite para a reconexão:

O paisagismo, quando bem executado, transcende a mera estética, transformando-se em um convite à reconexão com a natureza e o bem-estar individual. Mais do que a beleza visual, um projeto paisagístico humanizado coloca as necessidades e desejos das pessoas no centro da criação, moldando espaços que acolhem, inspiram e revitalizam.

Entendendo as Pessoas, Priorizando o Bem-Estar:

Para que o projeto tenha sucesso é fundamental compreender as pessoas que utilizarão o espaço. Através de pesquisas, entrevistas e observações, o profissional desvenda as características, hábitos e anseios dos futuros frequentadores, buscando entender:

  • Quem são essas pessoas? Idade, gênero, cultura, necessidades físicas e cognitivas são aspectos relevantes que influenciam a interação com o espaço.
  • Como desejam utilizar o local? Relaxar, socializar, praticar atividades físicas, apreciar a natureza? As respostas guiarão a escolha de elementos e a disposição do mobiliário.
  • Quais são suas expectativas em relação ao ambiente? Tranquilidade, contemplação? Compreender essas expectativas é crucial para criar um espaço que atenda às necessidades emocionais dos usuários.

Elementos que Falam a Linguagem Humana:

Com base na compreensão das pessoas, o paisagista seleciona elementos que se transformam em ferramentas para o bem-estar:

  • Vegetação: A escolha de plantas vai além da estética, considerando aspectos como a altura, textura, cores, aromas e até mesmo propriedades medicinais ou culinárias, criando um ambiente sensorial rico e convidativo.
  • Mobiliário: Bancos, mesas, espreguiçadeiras e outros elementos devem ser ergonômicos, adequados à faixa etária e necessidades dos usuários, promovendo conforto e acessibilidade.
  • Água: A presença de água, seja em fontes, espelhos d'água ou riachos, induz relaxamento, diminui o estresse e cria um ambiente mais fresco e agradável.
  • Iluminação: A luz natural e artificial devem ser cuidadosamente planejadas para criar diferentes atmosferas, atender às necessidades das atividades que serão realizadas no espaço e garantir a segurança durante a noite.
  • Sustentabilidade: A utilização de materiais reciclados, permeáveis e de baixo impacto ambiental contribui para a criação de um espaço ecologicamente consciente e promove a conexão com a natureza de forma harmônica.

Um Espaço em Constante Diálogo:

O paisagismo humanizado é um processo dinâmico que se adapta às necessidades e desejos dos usuários ao longo do tempo. Através da observação do uso do espaço e da comunicação constante com as pessoas, o paisagista precisa realizar ajustes e aprimoramentos contínuos, garantindo que o local continue a atender às demandas de seus frequentadores e se torne um verdadeiro refúgio para o bem-estar humano.

Um Legado de Felicidade e Vitalidade:

Ao colocar as pessoas no centro do projeto, o paisagismo humanizado cria espaços que transcendem a beleza superficial, tornando-se oásis de bem-estar que contribuem para a felicidade, saúde e vitalidade da comunidade. Mais do que um projeto paisagístico, é um investimento na qualidade de vida das pessoas e na construção de um futuro mais verde, conectado e humano.

20 setembro 2021

Os benefícios da arborização no paisagismo




Além da sombra da sua copa, das cores das suas flores e frutos e de marcar o passo das estações as arvores cumprem muitas outras funções num projeto. Saber aproveitá-las e tirar partido delas faz toda a diferença num projeto.



1-PROTEGEM DOS VENTOS DOMINANTESÁrvores protegem dos ventos dominantes, quando plantados formando linhas ou conjuntos nos pontos certos, as arvores criam barreiras verdes que reduzem a velocidade do vento, reduzem seu efeito negativo e protegem as outras plantas do jardim do efeito do vento forte. Ao atuar como uma barreira permeável, as arvores tem um efeito redutor da velocidade do vento, melhoram o microclima do jardim e podem ser utilizados para proteger também construções e estruturas.

Árvores de folha perene cumprem sua função, durante todo o ano, e são a alternativa recomendada para locais com ventos fortes permanentes, principalmente em áreas de litoral. Em locais em que os ventos sejam mais suaves e esporádicos se pode optar pelo uso de arvores de folha caduca, lembrando que neste caso, o efeito de proteção será menor nas épocas de inverno ou de seca. A escolha de arvores de folha caduca é interessante em locais de clima mais frio porque permitem que no inverno o jardim mantenha uma insolação melhor.



2- REDUZEM RUÍDOS

Árvores reduzem a quantidade de ruído e por isso a formação de barreiras acústicas com arvores é uma alternativa quando em volta do jardim há polos geradores de ruído, como ruas movimentadas, avenidas ou atividades econômicas que pelas suas características são focos de poluição sonora. Neste caso é aconselhável escolher arvores ou arvoretas, lembrando que a proteção oferecida pelas arvores jovens pode se perder ao longo do tempo, na medida que as arvores cresçam e suas copas deixem de oferecer a proteção projetada. 


Árvores de folhas menores oferecem uma redução maior e as copas frondosas proporcionam uma eficiente barreira acústica que reduz a propagação das ondas sonoras e ameniza o ruído em alguns casos em até 30%, de acordo com estudos técnicos. É importante lembrar que a eficiência das barreiras vegetais para reduzir o ruído dependerá de muitas variáveis, desde a topografia do terreno, as espécies selecionadas, a distância das fontes geradoras de poluição sonora e o tipo e volumem de sonido.

Uma situação especifica que merece estudos mais aprofundados é a utilização da arborização urbana para reduzir ou minimizar a poluição sonora produzida pelo trânsito de veículos nas ruas e avenidas verticalizadas. A propagação das ondas sonoras em campo aberto ou em cidades densamente ocupadas e verticalizadas é diferente e segue padrões diferentes. Em áreas abertas as ondas sonoras se propagam num padrão mais horizontal, enquanto em ruas com edifícios verticalizados há além de uma propagação vertical um efeito sonoro aumentado pelo efeito da própria reverberação das ondas sonoras rebotando na superfície das fachadas dos prédios. 



 3- PROPORCIONAM PRIVACIDADE

Árvores protegem de vistas indesejadas, tanto de dentro para fora, como de fora para dentro do jardim. Usamos arvores para aumentar ou garantir a privacidade. Árvores proporcionam barreiras visuais que ocultam ou dissimulam as construções, janelas ou elementos construtivos do entorno que preferiríamos não ver o que tem um impacto negativo sobre o quotidiano. 

Árvores nos permitem não ver e não ser vistos. A mesma barreira que protege visualmente em uma direção, também garante a privacidade na outra. Árvores e arvoretas de folha perene são mais adequadas porque cumprem a sua função todo o ano e durante todas as estações. 

Quando projetemos barreiras visuais devemos levar em conta o desenvolvimento das espécies escolhidas para assegurar que o objetivo pretendido se mantenha ao longo do tempo. Com frequência espécies de porte maior, que cumprem bem seu objetivo nos primeiros anos, com o tempo crescem demais e perdem o efeito pretendido, ou precisam de manutenção constante para manter o porte e a densidade de galhos e folhas necessário para cumprir sua função. 



4- PROPORCIONAM MELHOR MICROCLIMA

Proporcionar um microclima melhor. Proteger do sol intenso e manter a temperatura mais amena durante o verão ou nas horas do dia de maior intensidade solar. Da mesma forma que uma arvore ou um conjunto de arvores protege dos ventos dominantes, reduz a intensidade do ruído, também protege do calor intenso, proporcionando uma sombra que reduz a temperatura em até 8 a 10 graus. 

Reduzindo a incidência da insolação nas fachadas das construções, ou em partes do jardim poderemos criar espaços com microclima específico, mais frescos no verão e até eventualmente mais quentes no inverno. Neste caso também, a escolha das espécies adequadas potencializará o efeito desejado. 

Árvores de folha caduca proporcionam sombra no verão intenso e permitem que os raios do sol mais suaves do inverno cheguem sem interferências e aumentem a temperatura das construções nos meses mais frios do ano. A sombra de uma arvore frondosa substitui com vantagem guarda-sois e proporciona um efeito equivalente ao de um pergolado. Cidades com ruas densamente arborizadas reduzem a sua temperatura média no nível da rua e reduzem a formação das chamadas ilhas de calor. 


14 setembro 2021

Instituto Dona Anna - Jardim Sensorial
























Temos um carinho especial por este projeto. O jardim sensorial do Instituto Dona Anna é um desses projetos em que todos acabamos nos envolvendo e acabamos dedicando-lhe mais tempo que aquele que inicialmente tínhamos previsto. 


Projetar um jardim sensorial para crianças diagnosticadas como PcD e diversos graus de excepcionalidade é ir além do desenho. Exige entender como cada uma das crianças se relacionara e interatuará com o espaço. Cada uma das 17 estações foi projetada para despertar, estimular e provocar sensações novas. 



























O trabalho voluntário da equipe do Instituto lado a lado com todos os pais, mães e amigos do instituto e a contribuição de organizações com o Instituto Guga Kuerten e Instituto Carlos Roberto Hansen tirou da prancheta o sonho da Dona Anna.

O espaço lúdico do jardim sensorial proporciona as crianças atendidas pelo Instituto e a comunidade dos bairros próximos uma oportunidade de brincar com cheiros, cores, texturas, sons, formas e sentir na pele uma experiência nova. O Jardim Sensorial é um projeto que abre, para quem percorre o espaço do jardim, um mundo novo a ser descoberto.












03 agosto 2021

Como apresentamos nossos projetos

 


Projetamos espaços em que o verde e a valorização da relação entre o ser humano e a natureza é prioridade.  
Ao longo de 35 anos a BOA VISTA PAISAGISMO tem desenvolvido mais de 1.000 projetos de paisagismo no Brasil e no exterior. Nossa equipe técnica tem quatro décadas de experiência em paisagismo.
 






Este documento apresenta as definições das etapa de trabalho. Adaptamos cada projeto de acordo com o briefing do cliente, o local e a arquitetura, desenvolvendo desde o estudo preliminar até o acompanhamento da obra, auxiliando inclusive na seleção de contratação das empresas executoras e na análise de orçamentos.






 
1. REFERÊNCIAS - A partir da visão do cliente, são apresentadas referências iniciais para caracterizar visualmente as necessidades do projeto.  Etapa onde é compartilhado conceitos e referências externas que ajudem a traduzir as ideias e necessidades do cliente.  

2.ORÇAMENTO - Apresentação de prazos, valores, objetivos e descrição completa de todas os serviços incluídos e não incluídos no contrato com o cliente. 

3. MASTERPLAN -  Etapa de desenho urbano que ajuda a organizar, transformar e melhorar a explicação das ideias iniciais do projeto de paisagismo. Geralmente aplicado no processo de projetos complexos e de grande escala. 

4. ANTEPROJETO - Apresentado sob a forma de uma planta baixa (2D) e fotomontagens com indicações de: equipamentos relativos ao tratamento paisagístico; áreas de canteiros; grupamentos de vegetação. As modificações deverão ser efetuadas nessa fase.

5. FOTOMONTAGEM - Apresentação da proposta utilizando fotos reais do local de projeto, somando as espécies de acordo com altura, volume e estruturas complementares para cada necessidade de projeto.  

6. PRODUÇÃO DE IMAGENS - Apresentação de renders em alta definição do projeto com a proposta de paisagismo,  produzidos para complementar ideias e conceitos apresentadas nas etapas anteriores em 2D.

7. PRODUÇÃO DE VÍDEOS - Além de perspectivas, a produção de vídeo auxilia a percepção da escala humana no projeto, exemplificando as possíveis sensações do cliente no espaço.

8. PROJETO EXECUTIVO - Desenvolvido a partir do ANTEPROJETO aprovado, constituindo-se de: planta da área com especificação de vegetação a ser utilizada, identificada por nomes científicos e suas respectivas. 

9. DETALHAMENTO - Apresentação de detalhes específicos de acordo com cada projeto. Nesta fase de projeto são contemplados detalhes construtivos de decks, bancos, floreiras, escadas, estruturas para trepadeiras etc. Especificações de acordo com as necessidades de cada projeto. 

10. LISTA DE PLANTAS - Lista geral de espécies indicadas no projeto, contendo especificação de quantas unidades por metro quadrado, nome técnico da espécie e quantidade final de cada espécie escolhida.

11. CATÁLOGO DE PLANTAS - Catálogo de fotos de todas as espécies apresentadas no projeto de paisagismo, apresentando foto completa da planta detalhes da espécie, como flores e frutos.

12. MANUAL DO PROPRIETÁRIO - Recomendações para a contratação do serviço de manutenção de forrações, árvores e palmeiras, arbusto, gramados, flores de época ou anuais e trepadeiras. Recomendações de adubação, preparação dos canteiros, poda, controle do mato, irrigação, inseticidas, limpeza e tratos culturais.








1. Indicação dos volumes de cada espécie apresentadas no estudo.

2. Estudos de texturas e cores predominantes. 

3. Indicação dos principais materiais.





















1. Indicação do volume de árvores e palmeiras em sua fase adulta

2. Representação de cores segundo as espécies indicadas

3. Paginação e detalhamento de piso

4. Definição de rampas de acesso e escadas 

5. Indicação de gramados, arbustos e forrações 

6. Numeração das espécies segundo a lista e o catálogo  de plantas

7. Indicação e especificação de vasos e floreiras

8. Indicação e especificação de mobiliários 









1. Detalhes complementares com indicação do produto 

2. Indicação dos pontos de iluminação designando cores diferentes para cada tipo de modelo

3. Definição dos pontos de água







1. Apresentação do produto com imagens e principais dimensões.

2.  Indicação de quantidade de cada modelo conforme indicado no projeto executivo.

3. Especificação do código do fabricante segundo catálogo do mesmo.












1. Detalhe aproximado da espécie, destacando suas particularidades como a flor, fruto ou detalhes das folhas.

2. Recorte geral da espécie, mostrando volume, altura e detalhes gerais da planta.

3. Indicação do nome técnico da planta. Lista organizada conforme o quantitativo, seguindo a mesma indicação do número da planta baixa no projeto de paisagismo. 









1. Nome técnico de cada espécie escolhida para o projeto. A ordem da lista de plantas condiz com o catálogo de plantas com a imagem de cada espécie.

2. Indicação da altura da planta em sua fase adulta.

3. Indicação da embalagem, especificando o suporte de cada espécie. 

4. Indicação da área de ocupação de cada espécie de acordo com o desenho da em planta. Especificado como metros quadrados ou metros lineares.  

5. Indicação de quantas unidades por metros  quadrados ou metros lineares.

6. Indicação do total de espécies segundo a área correspondente de projeto. 

7. Especificação da medida. 







































21 julho 2021

Quanto custa um jardim? 2021




Antes de contratar o projeto, o cliente sempre pergunta: quanto vai custar o jardim? A resposta não é simples, porque dependerá de muitas variáveis. O tamanho da área, a complexidade da obra, o padrão e os tipos de plantas, o lugar ou aspectos técnicos, como a disponibilidade de materiais e insumos perto do local. 

Um jardim de 50 m² numa cobertura não terá o mesmo custo que outro de 10,000 m² numa fazenda. Temos que calcular sempre o preço por m² e não nos deixar influenciar pelo preço total. Isso porque quando falamos de preço total para jardins diferentes acabamos gerando mal entendidos e distorcemos o conceito de valor e preço.

O setor da construção civil utiliza o CUB (Custo Unitário Básico) como uma referência de preço e custo, e é importante entender este conceito. O cliente sabe que o preço da sua obra será o resultado de multiplicar o número de metros quadrados pelo valor do CUB. Poderá ainda calcular alguns ajustes de acordo com o padrão da obra, mas terá uma base de cálculo para poder orçar com precisão antes de iniciar a construção.





No paisagismo isso nem sempre acontece. Imaginemos uma floreira numa cobertura, em que todos os materiais têm que subir pelo elevador. Muitos condomínios residenciais definem horários rígidos para entrada de materiais e para a realização de trabalhos de manutenção, o que reduz muito o tempo útil de trabalho. O resultado é que a obra acaba custando mais. A mesma floreira, se estivesse alocada na planta baixa do mesmo edifício, poderia chegar a custar até 40% menos, utilizando as mesmas plantas e materiais. O mesmo acontece com o tipo de jardim. Um canteiro com bromélias, orquídeas ou plantas de alto valor unitário terá um custo por m² superior a um jardim com grama ou forrações. O tamanho e a qualidade das plantas tem um peso importante na hora de calcular o custo final do jardim. Podemos especificar árvores de 2,00 m de altura e um DAP (Diâmetro a Altura do Peito) de 2 a 3 cm, ou árvores de 4,00 a 5,00 m e um DAP de 15 a 20 cm, e o preço poderá variar de poucas dezenas de reais a milhares de reais por unidade.




Certa vez, tivemos duas situações interessantes. No projeto de uma indústria, o cliente nos informou que teríamos um orçamento de R$ 150 mil para o projeto e a execução. O cliente estava nos dizendo que poderíamos elaborar um bom projeto e que não faltariam recursos para fazer um bom jardim. Olhando a planta e num cálculo rápido, comentei que a área total a ser trabalhada seria de mais de 100.000 m² e que mesmo com grandes áreas de gramado, como estava previsto, o custo não seria inferior a R$ 1 milhão e que provavelmente ficaria mais perto do R$ 1,5 milhão. No primeiro momento ficou surpreso. Achava que tinha previsto um orçamento suficiente para o projeto de paisagismo e o jardim. Fizemos algumas contas e na hora percebeu que com o orçamento previsto nem conseguiria colocar grama em toda a área, sem considerar nenhum outro investimento adicional.

Este exemplo não é um caso isolado. No projeto de um condomínio residencial o orçamento era de pouco mais de R$ 60 mil para aproximadamente 2.000 m² de jardim. O investimento do empreendimento foi de mais de R$ 15 milhões e para paisagismo o total representa menos de 0,5% do total do investimento. Outra situação é a que encontramos na hora de projetar ou executar um jardim pequeno. Às vezes, do tamanho de uma floreira. Nestes casos, os custos básicos de visita, trabalho de escritório e acompanhamento, representam um valor significativo para um trabalho pequeno em área, mas complexo e envolvente. Neste caso o custo por m² de jardim pode chegar a milhares de reais.


Estes são parte dos dilemas que enfrentamos na hora de responder a pergunta: quanto custa o jardim? Com mais de 30 anos de experiência e quase mil projetos executados, temos compartilhado com os nossos clientes a lógica do CUP (Custo Unitário de Paisagismo). Ela nos permite informar na hora em que contrata o projeto qual será o custo aproximado da execução. Desenvolvemos três níveis de custo, de acordo com as variáveis que devem ser consideradas e logicamente estes valores mudam de região para região, mas mantém a sua lógica e proporção.











Nível A – Jardins mais simples

Uso de plantas de menor porte, menor densidade de plantio e espécies mais rústicas. São jardins com extensões maiores de grama ou forrações. Com árvores de porte menor, até 2 m de altura e menor quantidade de canteiros de flor. Basicamente são jardins com plantas perenes e baixo custo de manutenção. É o padrão para grandes áreas, para projetos imobiliários mais econômicos. Incluem alguns bancos e áreas de pisos, mas preferencialmente utilizam pisos permeáveis de pó de brita ou saibro compactado para os caminhos e circulações.


Nível B – Jardins de padrão médio

Uso de árvores de porte médio, com canteiros de flor e arbustos floríferos. Maior densidade de plantio e utilização de plantas e flores de maior qualidade e preço. Árvores de até 4 metros de altura, palmeiras de 3 a 4 metros e arbustos de mais de 1 metro de altura. Plantas bem desenvolvidas e com maior padrão. Com utilização de chips, adubos de lenta liberação e materiais de acabamento diferenciados. Incorporam equipamentos básicos como bancos e playgrounds de baixa complexidade.


Nível C – São os jardins de alto padrão

Uso de plantas exemplares. Árvores de mais de 5 metros de altura, que requerem, na construção, da utilização de equipamentos pesados como guindastes e escavadeiras, com obras de complexidade como lagos, córregos, pergolados, áreas de lazer e playgrounds.

Quais os valores para cada nível?

Um jardim do nível A terá um custo entre R$75 e R$90 por m². Um jardim de nível B custaria entre R$110 e R$145 por m² e para os de nível C o custo por m² se situa entre os R$150 e os R$280 também por m². Entendendo que neste último caso o céu é o limite. Um jardim vertical com orquídeas pode custar até 10 vezes este preço. O objetivo não é definir uma “tabela” de preços e sim compartilhar os preços praticados pelo mercado na região norte de Santa Catarina.


Um alerta

Desconfie de preços muito baixos. Preços abaixo dos custos significam problemas ou na qualidade das plantas, ou na troca das plantas especificadas por outras de preço e tamanho inferior. Preços baixos demais significam economia no preparo do solo, nas quantidades de fertilizante, na profundidade de preparo, ou trabalhar com funcionários sem registro, sem equipamentos de segurança e sem treinamento adequados. Não há milagres. Investir num projeto para depois economizar centavos na hora da execução é um erro muito comum. Um erro cometido na maioria das vezes por desconhecimento. Quando não se dispõe de muito dinheiro é preferível investir no preparo do solo e comprar mudas menores, que depois crescerão. O preparo do solo é o alicerce de todo bom jardim. Um bom projeto especifica as quantidades, os tamanhos, as embalagens e as densidades de plantio. Assim é mais fácil evitar problemas posteriores.





27 maio 2021

Instituto Dona Anna - Reabilitação do Potencial Humano

Projeto de paisagismo. Autoria: Boa Vista Paisagismo.

Projeto de paisagismo. Autoria: Boa Vista Paisagismo.

Nosso escritório realiza ações solidárias e apoia projetos sociais. Neste sentido e em parceria com o Instituto Cau Hansen realizamos o projeto do Jardim Sensorial do Instituto Dona Anna, no Bairro Nova Brasília.

O jardim sensorial esta composto por um conjunto de 17 estações para que as crianças atendidas pelo Instituto possam despertar e estimular os cinco sentidos.

O projeto é o resultado de meses de pesquisa e conta com o apoio de voluntários, apoiadores e contribuintes. Entre eles o Instituto Guga Kuerten, que esta patrocinando uma parte das instalações sensoriais.


Projeto em execução. Maio de 2021.
 
Projeto em execução. Maio de 2021.

Projeto em execução. Maio de 2021.