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05 outubro 2009

Puta Rica, Puta Pobre

Do Arquiteto Miguel Cañas recebemos este texto inteligente que vale a pena ler.


Amigos profissionais,

Designers, arquitetos, decoradores e outras putas criativas:

Este vídeo-discurso do escritor Harlan Hellison é um chute no estômago para todos que já se sentiram umas putas do mercado...Putas pobres, claro, porque puta rica cobra muito caro!!!

Trabalhamos de graça, somos muitas vezes explorados pelo cafetão...digo, mercado: “É bem simples”, “é só um desenhozinho...”, “isso você faz no computador...”, “tem que ser pra amanhã...”, “bem bonito viu? Só que eu não quero gastar muito”,”...ai, ai, não sei bem o que eu quero, sabe?”, “creeeedo, tu isso pelo projeto...mas eu ainda tenho a obra, os móveis...”, “ah, o outro escritório está fazendo isso + as perspectivas + complementares + obra + um conjunto de facas Guinsu + um par de óculos Ambervision, mais, mais, mais...”.

Acontece que muitas vezes alguns não sabem avaliar o valor do seu próprio trabalho! E o que dizer dos estudos de risco? “Vou escolher o mais bonito, daí eu fecho com o que mais gostar!”. Isso é leilão de projeto, não arquitetura!!!

Porque não pagar? Nada é de graça nessa vida, meu Deus! Desenhamos croquis em guardanapos dando idéias para amigos e não cobramos nada. Mas o amigo médico diz: “liga pra minha secretária e vamos marcar uma consulta...p-a-r-c-e-i-r-o!”.

Por isso, o mercado se acostumou e deixou de valorizar o trabalho do designer, arquiteto, decorador e outras putas criativas. Acostumamos o mercado que as coisas são fáceis assim, que trabalhamos de graça mesmo, que arquitetura é algo desvalorizado, barato, simples, rápido de fazer....afinal sempre tem uma puta pobre que o faz!

Como ele disse, os amadores acabam com os profissionais, porque não fazem a menor idéia que deveriam receber por tudo o que fazem!!!!! Doam trabalho porque “...o seu nome vai aparecer”, “veja bem, será uma placa sua na rua”, “é divulgação para sua empresa”, “é portifólio para você...”

Vivemos de papel e isso tem um preço. Pagamos nossas contas vendendo idéias. Devemos respeitar nossa profissão e a dos colegas! Ou se não, arrume outra coisa para fazer e deixe os profissionais serem valorizados de verdade!

Amigas putas queridas: se tivermos de ser putas, que pelo menos sejamos putas carísssimas!!!! Daquelas com nome e sobrenome (porque puta que se preze tem os dois). Aí sim o mercado valorizará nosso corpinho!!

O mercado somos nós que criamos!!!

Abraços e boa reflexão!


Link do video

01 abril 2008

Cliente, que cliente?

O nosso trabalho nos leva a diariamente lidar com clientes, alias são os nossos clientes a nossa razão de ser e de existir como profissionais. Cada um nós tem as suas estratégias para se relacionar com o cliente e o nosso objetivo hoje é o de compartilhar algumas das experiências acumuladas ao longo de quase 25 anos de trabalho.

Inicialmente, acreditava que existiam centenas de clientes diferentes e que para cada um deles era necessário desenvolver uma abordagem própria e particular, aos poucos as centenas viraram dezenas e hoje posso dizer que consideramos no escritório que existem basicamente dois tipos de clientes, com algumas pequenas variações.

Pode parecer uma abordagem simplista em extremo, porem vem dando certo, o primeiro tipo de cliente é aquele que esta contratando o serviço para ele próprio, eu chamo este cliente de “proprietário”, não estou me referindo ao dono, a quem possui o imóvel, e sim a aquele cliente que assume o projeto como sendo dele, que entende o resultado do trabalho como sendo próprio e que pretende buscar o melhor resultado a médio e longo prazo.

E fácil trabalhar com este tipo estilo de clientes, entendem a importância de preparar bem o terreno, de escolher as melhores espécies, esta muito mais preocupado com os custos e resultados a longo prazo, é capaz de aceitar custos maiores na implantação para ter ganhos e economia a longo prazo, entende a importância de escolher as plantas adequadas, e aquilo chamamos do cliente 10–1.

O outro tipo de cliente é aquele que vê o jardim como uma obrigação ou uma necessidade do momento, tem que ter um jardim, e quaisquer verde serve, muitas vezes até contrata um bom profissional e um bom projeto que não será implantado ou o que é pior, que será executado, com o único objetivo de ficar bem na hora, sem o menor comprometimento com o amanha do trabalho, e o cliente 1 – 10, é o cliente preocupado só com o resultado imediato. Até porque em muitas ocasiões o jardim é encarado como a decoração que acompanha a festa de inauguração. Que não precisa durar muito mais que alguns dias.

Porque 1 – 10, e porque 10 – 1? Bom é muito simples, o cliente 1 – 10 e aquele que gasta R$ 1 no preparo do terreno e R$ 10 na compra das plantas, e aquele que gosta de aparecer, o cliente 10 – 1 e aquele que investe R$ 10 no preparo do terreno, no adubo, no planejamento, na drenagem, no melhor substrato e R$ 1 nas plantas, porque sabe que se bem feito tudo as plantas crescerão e o jardim florescera por muitos e muitos anos. É o cliente que gosta das coisas bem feitas e que sabe valorizar os bons profissionais, é o cliente que faz que o nosso trabalho faça sentido e nos faz felizes fazendo o que gostamos de fazer.