30 setembro 2026

Quanto custa um jardim? 2026


 Quanto custa um jardim? (2026)

Antes de contratar o projeto de paisagismo, o cliente sempre pergunta: quanto vai custar o jardim? A resposta não é simples, porque dependerá de muitas variáveis. O tamanho da área, a complexidade, o padrão e os tipos de plantas, a localização, a topografia e os aspectos técnicos envolvidos — como a disponibilidade de materiais e insumos perto do local — influenciam diretamente no orçamento.

Um jardim de 50 m² em uma cobertura não terá o mesmo custo por metro quadrado (m²) que outro de 10.000 m² em uma fazenda. Temos que calcular sempre o preço por m² e não nos deixar influenciar apenas pelo valor total. Isso porque, quando falamos de preço total para jardins diferentes, acabamos gerando mal-entendidos e distorcendo o conceito de valor e preço.

O setor da construção civil no Brasil utiliza o CUB (Custo Unitário Básico) como referência de preço e custo, e é importante entender esse conceito. O cliente sabe que o preço da sua obra será o resultado da multiplicação do número de metros quadrados pelo valor do CUB. Ele poderá calcular alguns ajustes de acordo com o padrão da construção, mas terá uma base sólida para orçar com precisão antes de iniciar as obras.

No paisagismo, nem sempre isso acontece. Imaginemos uma floreira em uma cobertura, em que todos os materiais precisam subir pelo elevador. Muitos condomínios residenciais definem horários rígidos para a entrada de insumos e para a realização de trabalhos de manutenção, o que reduz drasticamente o tempo útil de operação. O resultado é que a execução acaba custando mais.

A mesma floreira, se estivesse situada no térreo do mesmo edifício, poderia custar até 40% menos, utilizando exatamente as mesmas plantas e materiais. O mesmo princípio se aplica a cada tipologia de jardim. Um canteiro com bromélias, orquídeas ou plantas de alto valor unitário terá um custo por m² superior a um jardim composto apenas por grama ou forrações. O tamanho e a qualidade das mudas também têm um peso fundamental na hora de calcular o custo final: podemos especificar árvores de 2,00 m de altura com um DAP (Diâmetro à Altura do Peito) de 2 a 3 cm, ou árvores de 4,00 a 5,00 m com um DAP de 15 a 20 cm, fazendo o preço variar de poucas centenas a milhares de reais por unidade.

Certa vez, deparamo-nos com duas situações bastante ilustrativas. No projeto de uma indústria, o cliente nos informou que disporia de um orçamento de R$ 150 mil para o projeto e a execução, acreditando que os recursos seriam mais do que suficientes para um bom jardim. Olhando a planta e fazendo um cálculo rápido, constatamos que a área total a ser trabalhada ultrapassava 100.000 m². Mesmo com amplas áreas de gramado previstas, o custo não seria inferior a R$ 1 milhão, provavelmente aproximando-se de R$ 1,5 milhão. No primeiro momento, o cliente ficou surpreso, mas, após refazermos as contas juntos, percebeu que com o valor estipulado inicialmente não conseguiria sequer cobrir a área com grama, sem considerar nenhum outro investimento complementar.

Esse exemplo não é isolado. No projeto de um condomínio residencial, o orçamento previsto era de pouco mais de R$ 60 mil para aproximadamente 2.000 m² de jardim. Como o investimento total do empreendimento superava R$ 15 milhões, a verba destinada ao paisagismo representava menos de 0,5% do total — um patamar desproporcionalmente baixo para um empreendimento daquele padrão.

Outro cenário comum ocorre ao projetar ou executar jardins muito pequenos, por vezes do tamanho de uma floreira. Nesses casos, os custos fixos de deslocamento, visita técnica, projeto e acompanhamento representam um peso significativo em termos proporcionais, elevando o custo por m² a patamares elevados.

Esses são alguns dos dilemas que enfrentamos ao responder à pergunta: quanto custa o jardim? Com 40 anos de experiência e mais de mil projetos executados, compartilhamos com os nossos clientes a lógica do CUP (Custo Unitário de Paisagismo). Essa ferramenta nos permite estimar com precisão o custo aproximado da execução logo na contratação do projeto. Desenvolvemos três níveis de custo conforme as variáveis envolvidas. Logicamente, esses valores oscilam de acordo com a região, mas mantêm sua lógica e proporção — tendo como base o estado de Santa Catarina.


Níveis de Custo de Paisagismo

  • Nível A – Jardins mais simples:

Uso de plantas de menor porte, menor densidade de plantio e espécies mais rústicas. São jardins com extensões maiores de gramado ou forrações, árvores de menor porte (até 2 m de altura) e menor quantidade de canteiros floridos. Basicamente, são projetos com plantas perenes e baixo custo de manutenção. É o padrão indicado para grandes áreas e empreendimentos imobiliários econômicos. Podem incluir alguns bancos e áreas de convivência, priorizando pisos permeáveis, como pó de brita ou saibro compactado para os caminhos.

  • Nível B – Jardins de padrão médio:

Uso de árvores de porte médio, canteiros de flores e arbustos floríferos. Apresenta maior densidade de plantio e utilização de espécies de melhor qualidade e valor estético superior. Conta com árvores de até 4 metros de altura, palmeiras de 3 a 4 metros e arbustos com mais de 1 metro de altura, todos bem desenvolvidos. Inclui o uso de cobertura orgânica (como chips de madeira), adubos de liberação lenta e materiais de acabamento diferenciados, além de equipamentos básicos como bancos e playgrounds de baixa complexidade.

  • Nível C – Jardins de alto padrão:

Uso de plantas exemplares e de grande porte. Envolve árvores com mais de 5 metros de altura — cuja movimentação e plantio exigem o uso de equipamentos pesados, como guindastes e escavadeiras —, além de obras de maior complexidade técnica, como lagos, córregos ornamentais, pergolados, áreas de lazer completas e playgrounds estruturados.


No caso do Nível C, o céu é o limite: um jardim vertical intensivo com espécies nobres (como orquídeas e bromélias) ou automações complexas pode multiplicar esses valores. O objetivo destas faixas não é engessar o mercado em uma tabela rígida, mas sim refletir com fidelidade os preços médios praticados pelo setor no estado de Santa Catarina.


Um alerta importante Desconfie de orçamentos excessivamente baixos. Preços muito abaixo do mercado costumam ocultar problemas na qualidade fitossanitária das plantas ou o uso de espécies de porte e tamanho inferiores aos especificados.

 Valores baratos demais também costumam significar economias perigosas no preparo do solo, na quantidade de fertilizantes, na profundidade das covas, ou na contratação de mão de obra informal, sem equipamentos de segurança e sem o treinamento adequado. Não existem milagres. Investir em um projeto de qualidade para depois economizar centavos na execução é um erro frequente, cometido na maioria das vezes por falta de conhecimento.

Quando o orçamento é restrito, é muito mais inteligente investir corretamente no preparo do solo e adquirir mudas menores, que crescerão com o tempo. O bom preparo da terra é o alicerce de qualquer jardim duradouro. Um projeto bem-feito especifica quantidades, tamanhos, embalagens e densidades de plantio, facilitando o controle e evitando frustrações futuras. 


12 agosto 2026

Know-how de Joinville ajuda a criar novo parque de flores e plantas em Arujá

 Know-how de Joinville ajuda a criar novo parque de flores e plantas em Arujá 



O conhecimento desenvolvido pela Boavista Arquitetura Paisagista e pelo Parque Hemero, ambas de Joinville, está na base do Parque Aflord, projeto que será inaugurado neste sábado (15), em Arujá (SP).  O novo espaço, criado na sede da Associação dos Floricultores da Região da Dutra (Aflord), combina paisagismo, produção de flores e plantas, capacitação e turismo. E aplica, em outro ponto do Brasil, a experiência acumulada por empresas joinvilenses no desenvolvimento e operação de espaços de visitação.

 A Boavista foi responsável pelo projeto paisagístico do parque. O trabalho envolveu o planejamento da área, a organização dos jardins, a definição dos caminhos e a distribuição das espécies. A implantação inicial ocupa cerca de 3 mil metros quadrados, com possibilidade de expansão em novas etapas. O Hemero, por sua vez, atuou na consultoria para estruturação do modelo operacional e gerencial do parque. A experiência do empreendimento joinvilense serviu de referência para definir aspectos como funcionamento, política de preços, equipe, escolha de plantas, relacionamento com fornecedores, parcerias e calendário de atividades. 



O modelo incorpora também conceitos desenvolvidos pelo Hemero ao longo da sua trajetória, como festivais sazonais, eventos temáticos, programas de relacionamento com visitantes e ações educativas em parceria com instituições de ensino. 

Segundo Jordi Castan, da Boavista Paisagismo, a parceria reuniu competências complementares: o conhecimento de paisagismo e organização espacial da Boavista e a experiência prática do Hemero na implantação e operação de um parque voltado à visitação. Além do projeto físico, o trabalho resultou num Manual Operacional e Gerencial, que será oficialmente entregue à Aflord durante a inauguração, neste sábado. O Parque Aflord nasce, assim, com a proposta de aproximar produção e turismo, valorizando a vocação florícola da região e criando um novo espaço permanente para visitação, capacitação e comercialização de flores e plantas. E conta com o know-how de empresas joinvilenses, com décadas de atuação no setor. 

20 julho 2026

Turismo de Jardins e Flores: uma tendência que floresce no Brasil


O turismo ligado às flores, aos jardins e ao paisagismo está em plena expansão. Embora pareça uma tendência recente, viajar para visitar parques, jardins botânicos e grandes coleções florais é um hábito consolidado há mais de um século em diversas partes do mundo.

No Brasil, um dos principais símbolos desse segmento é o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, inaugurado em 13 de junho de 1808 por determinação do príncipe regente Dom João. Criado inicialmente com o nome de Real Horto, seu objetivo era aclimatar e cultivar espécies vegetais trazidas das Índias Orientais, como canela, noz-moscada, pimenta-do-reino e chá, que Portugal pretendia introduzir na colônia.

Com o passar dos anos, o Jardim Botânico tornou-se um importante centro de pesquisa científica e conservação da biodiversidade, reunindo uma das mais relevantes coleções de plantas nativas e exóticas da América Latina. Sua emblemática alameda de palmeiras imperiais é um dos cartões-postais do país e, somente no último ano, o parque recebeu mais de 700 mil visitantes.

Ao redor do mundo, inúmeros jardins e parques atraem milhões de turistas anualmente. Entre os exemplos mais conhecidos estão o histórico Royal Botanic Gardens, Kew, na Inglaterra, que recebeu cerca de 2,7 milhões de visitantes em 2025; o tradicional Butchart Gardens, na Ilha de Vancouver, no Canadá, com mais de 1 milhão de visitantes por ano; o famoso Keukenhof, na Holanda, que em apenas algumas semanas de funcionamento recebe aproximadamente 1,4 milhão de visitantes de mais de 100 países; e o Jardim Botânico de Singapura, referência asiática que ultrapassa 4 milhões de visitantes anuais.

Esses números demonstram que existe uma demanda consolidada pelo turismo associado às flores, às plantas ornamentais e ao paisagismo.

No Brasil, algumas tendências levam mais tempo para se consolidar, mas acabam encontrando seu espaço. Nos últimos anos, cresceu significativamente o número de parques e jardins que recebem milhares de visitantes interessados em caminhar entre canteiros floridos, apreciar coleções botânicas e desfrutar de ambientes cuidadosamente planejados.

Entre os destaques está Inhotim (MG), onde natureza, paisagismo e arte convivem em perfeita harmonia. Em Santa Catarina, o Parque Hemero, pioneiro entre os jardins privados abertos à visitação, reúne sete jardins temáticos e tornou-se referência nacional.

No Estado de São Paulo, destacam-se o Parque Amantikir, em Campos do Jordão; o Bloemen Park e a Macena Flores, em Holambra; o Jardim Botânico Plantarum, em Nova Odessa; e o aguardado Parque Aflord, em Arujá, com inauguração prevista para este ano.

Na Região Sul, o Mátria Parque de Flores, o Le Jardin Parque de Lavanda e o Garden Park, no Rio Grande do Sul, além do Lavandário de Carambeí, no Paraná, ampliam ainda mais as opções para quem busca experiências ligadas à natureza, às flores e ao paisagismo. Novos empreendimentos também vêm sendo anunciados no Rio de Janeiro e em outros estados brasileiros.

O setor vive um momento de grande dinamismo. Enquanto novos parques surgem, os empreendimentos mais tradicionais investem continuamente na ampliação de suas atrações, na melhoria da infraestrutura e na qualificação da experiência oferecida aos visitantes, fortalecendo toda a cadeia produtiva da floricultura.

As flores e plantas ornamentais deixaram de ser apenas produtos agrícolas ou elementos de decoração para se consolidarem também como importantes atrativos turísticos. Paisagismo, jardinagem, coleções botânicas e jardins temáticos movimentam visitantes, geram empregos, estimulam o comércio local e valorizam as regiões onde estão inseridos.

E as oportunidades não param por aí. Além dos parques e jardins, cresce o interesse por visitas guiadas a viveiros de produção, propriedades rurais, centros atacadistas e demais espaços que respiram natureza e revelam os bastidores da floricultura.

O verde está em alta. Nas mãos de profissionais qualificados, ele movimenta milhões de reais, atrai turistas de todas as partes e desperta emoções que fazem do turismo de flores uma das mais promissoras tendências do setor.

08 julho 2026

O paisagismo contribui para uma melhor qualidade de vida

 “O paisagismo contribui para uma melhor qualidade de vida”


Com quatro décadas de atuação e formação na Espanha, o catalão Jordi Castan é um

dos mais experientes profissionais dedicados ao paisagismo na região. À frente da

Boavista Arquitetura Paisagista, com centenas de trabalhos desenvolvidos na área,

Jordi renovou a parceria com o Grupo Plaenge, a maior construtora do Sul do país, para

o novo empreendimento da marca de alto padrão em Joinville, a ser lançado em breve.

Nesta entrevista, salienta que o paisagismo tem se tornando cada vez mais

protagonista em projetos de construção. Segundo ele, em números, um paisagismo

qualificado agrega até 20% de valor a um empreendimento. Falando em tendências,

reforça: “A mesmice saiu de moda”.


Como você avalia a atenção do setor de construção, hoje em dia, ao paisagismo,

especialmente em grandes centros urbanos? A importância desse tema vem

aumentando?

A pandemia marcou um diferencial no mercado. Todos despertamos para a

necessidade de estabelecer uma melhor relação com a natureza, e o verde passou a

estar mais presente. Frente a cidades cada vez mais cinzentas e ambientes urbanos

hostis, o paisagismo contribui de forma definitiva com uma melhor qualidade de vida.

Isso surgiu primeiro de uma demanda do consumidor, e imediatamente como uma

resposta do mercado.

Que valor um paisagismo bem planejado agrega a um projeto residencial?

Se a pergunta é valor econômico, a resposta é entre 15% e 20%. Empreendimentos

que contem com bons projetos de paisagismo agregam valor ao produto. Mas se a

pergunta é qualidade de vida, aí o valor é maior, porque todos queremos morar em

ambientes que nos inspirem, que nos motivem a chegar em casa, que nos produzam a

sensação de bem-estar.  Não estamos falando de algo que é subjetivo; é palpável,

perceptível, e, do mesmo modo que o mercado responde bem a bons projetos,

também responde e rejeita projetos que não promovem qualidade de vida. Não é por

acaso que determinados empreendimentos são comercializados mais rapidamente e

se valorizam mais que outros.


Quais as principais tendências, nesta área, e como é possível inovar preservando a

autenticidade dos projetos e a conexão com a biodiversidade regional?

O natural não é nem modismo, nem tendência, é necessidade vital. O sentir, viver,

vibrar, se emocionar são diferenciais. A mesmice saiu de moda. Materiais naturais,

cores quentes, ambientes para ser vividos são o que as pessoas buscam. Frente à

frieza, à impessoalidade, o cinza, a neutralidade que não acolhe, as pessoas hoje

buscam calor, identidade, singularidade e autenticidade. A riqueza vegetal e a

diversidade da nossa flora são uma parte importante dos nossos projetos e respondem

como vivemos e sentimos nosso trabalho.

Importante reforçar que o paisagismo, em geral, está inserido em um território, um

microclima, um ambiente, e cada projeto é único. Por isso é necessário conhecer a

realidade de cada local, de cada cidade. Não se pode fazer um paisagismo que sirva

para todos os lugares, uma abordagem generalista não cria o vínculo que um projeto

precisa ter com o local e o indivíduo. 


Como será sua atuação no novo projeto da Plaenge em Joinville?

Nossa atuação será de curadoria. Quarenta anos de experiência nos permitem

contribuir para que o resultado final seja o ideal. Nossa relação profissional com o

Grupo Plaenge já é longa no tempo. Já são quase dez projetos desenvolvidos no

período em que o grupo entrou com pé firme no mercado de Joinville. Fomos a

primeira opção de atendimento em paisagismo e seguimos com essa parceria firme. A

Plaenge preza pela qualidade, é um cliente exigente, e por outro lado está sempre

aberta a contribuições e melhorias que valorizem os seus empreendimentos, por isso

nos entendemos muito bem.

Os projetos priorizam o bem-estar, a qualidade de vida e valorizam ambientes verdes,

sustentáveis em que as pessoas se sintam bem. Não há uma preocupação meramente

estética, há um desejo de criar diferenciais que sejam percebidos por todos. Neste

sentido, o paisagismo tem ganhado protagonismo e segue sendo um dos pontos fortes

dos projetos em que temos participado.


Assessoria de imprensa Plaenge em Santa Catarina. Jornalista responsável: Guilherme

Diefenthaeler (reg. prof. 6207/RS). WhatsApp. (47) 98403-2745.

15 junho 2026

Mais flores, mais verde… e mais negócios


Que o verde é vida, já sabemos. Mas o que ainda precisamos comunicar com mais força é que o verde também movimenta a economia, impulsiona negócios e transforma cidades em ambientes mais humanos, atrativos e rentáveis.

O impacto positivo da arborização urbana e do paisagismo vai muito além da estética. Árvores, flores e áreas verdes exercem influência direta sobre o comportamento das pessoas, criando ambientes mais agradáveis, acolhedores e favoráveis ao consumo. Hoje, já existem diversos estudos que comprovam que ruas arborizadas estimulam o comércio local, aumentam o fluxo de pedestres e valorizam regiões inteiras.

Em áreas com boa arborização, as pessoas caminham mais devagar, permanecem mais tempo nos espaços urbanos e tendem a aproveitar melhor a experiência de compra. O ambiente verde reduz o estresse, melhora a sensação de bem-estar e torna o consumidor mais receptivo aos estímulos ao redor — especialmente vitrines, fachadas e produtos expostos.

Pesquisas apontam que consumidores estão dispostos a gastar entre 8% e 12% a mais em locais considerados agradáveis e visualmente atrativos. Ou seja: ambientes mais verdes não apenas aumentam a circulação de pessoas, mas também elevam o ticket médio e fortalecem o varejo.

Em países tropicais como o Brasil, os benefícios tornam-se ainda mais evidentes. Ruas arborizadas podem reduzir a temperatura local entre 5°C e 10°C, tornando os deslocamentos a pé muito mais confortáveis. As árvores oferecem sombra, proteção contra o calor intenso e até abrigo em momentos de garoa leve, incentivando a permanência das pessoas nas áreas comerciais mesmo em condições climáticas menos favoráveis.

Além do impacto econômico imediato, existe também uma importante valorização imobiliária. Regiões arborizadas costumam ser associadas a qualidade de vida, sofisticação e planejamento urbano, atraindo investimentos, novos empreendimentos, boutiques, cafés e marcas premium. O verde agrega valor ao entorno e fortalece a identidade dos espaços urbanos.

Outro aspecto cada vez mais relevante é o potencial visual desses ambientes. O contraste entre natureza e arquitetura cria cenários atrativos, modernos e altamente compartilháveis nas redes sociais — os chamados espaços “instagramáveis” — gerando divulgação espontânea e fortalecendo a imagem dos estabelecimentos e das cidades.

Diante de tantos benefícios econômicos, sociais e ambientais, fica uma reflexão importante: se o nosso setor agrega tanto valor à sociedade, por que ainda divulgamos tão pouco a importância de investir mais em verde, flores e qualidade de vida?

Com o crescimento das cidades e a transição de uma vida mais ligada ao campo para uma rotina essencialmente urbana, a sociedade passou, gradativamente, a se distanciar da natureza. Mudaram-se os hábitos, a alimentação, a forma de morar, de conviver e até mesmo de se relacionar com os espaços ao redor. Em meio à evolução tecnológica e ao ritmo acelerado das grandes cidades, criamos estruturas e ferramentas que, muitas vezes, acabam nos isolando completamente do meio natural.



Romper esse distanciamento imposto pelos centros urbanos exige uma nova consciência sobre a relação entre desenvolvimento e natureza. É fundamental ampliar o entendimento sobre os processos que envolvem o crescimento das cidades e das construções, desde a escolha dos terrenos até os métodos construtivos adotados, incorporando práticas mais sustentáveis, humanas e integradas ao meio ambiente.

Talvez esteja na hora de comunicarmos com ainda mais força aquilo que nós já sabemos há muito tempo: o verde não é apenas paisagismo. O verde é desenvolvimento, bem-estar e oportunidade.