O turismo ligado às flores, aos jardins e ao paisagismo está em plena expansão. Embora pareça uma tendência recente, viajar para visitar parques, jardins botânicos e grandes coleções florais é um hábito consolidado há mais de um século em diversas partes do mundo.
No Brasil,
um dos principais símbolos desse segmento é o Jardim Botânico do Rio de
Janeiro, inaugurado em 13 de junho de 1808 por determinação do príncipe regente
Dom João. Criado inicialmente com o nome de Real Horto, seu objetivo era
aclimatar e cultivar espécies vegetais trazidas das Índias Orientais, como
canela, noz-moscada, pimenta-do-reino e chá, que Portugal pretendia introduzir
na colônia.
Com o
passar dos anos, o Jardim Botânico tornou-se um importante centro de pesquisa
científica e conservação da biodiversidade, reunindo uma das mais relevantes
coleções de plantas nativas e exóticas da América Latina. Sua emblemática
alameda de palmeiras imperiais é um dos cartões-postais do país e, somente no
último ano, o parque recebeu mais de 700 mil visitantes.
Ao redor do
mundo, inúmeros jardins e parques atraem milhões de turistas anualmente. Entre
os exemplos mais conhecidos estão o histórico Royal Botanic Gardens, Kew, na
Inglaterra, que recebeu cerca de 2,7 milhões de visitantes em 2025; o
tradicional Butchart Gardens, na Ilha de Vancouver, no Canadá, com mais de 1
milhão de visitantes por ano; o famoso Keukenhof, na Holanda, que em apenas
algumas semanas de funcionamento recebe aproximadamente 1,4 milhão de
visitantes de mais de 100 países; e o Jardim Botânico de Singapura, referência
asiática que ultrapassa 4 milhões de visitantes anuais.
Esses
números demonstram que existe uma demanda consolidada pelo turismo associado às
flores, às plantas ornamentais e ao paisagismo.
No Brasil,
algumas tendências levam mais tempo para se consolidar, mas acabam encontrando
seu espaço. Nos últimos anos, cresceu significativamente o número de parques e
jardins que recebem milhares de visitantes interessados em caminhar entre
canteiros floridos, apreciar coleções botânicas e desfrutar de ambientes
cuidadosamente planejados.
Entre os
destaques está Inhotim (MG), onde natureza, paisagismo e arte convivem em
perfeita harmonia. Em Santa Catarina, o Parque Hemero, pioneiro entre os
jardins privados abertos à visitação, reúne sete jardins temáticos e tornou-se
referência nacional.
No Estado
de São Paulo, destacam-se o Parque Amantikir, em Campos do Jordão; o Bloemen
Park e a Macena Flores, em Holambra; o Jardim Botânico Plantarum, em Nova
Odessa; e o aguardado Parque Aflord, em Arujá, com inauguração prevista para
este ano.
Na Região
Sul, o Mátria Parque de Flores, o Le Jardin Parque de Lavanda e o Garden Park,
no Rio Grande do Sul, além do Lavandário de Carambeí, no Paraná, ampliam ainda
mais as opções para quem busca experiências ligadas à natureza, às flores e ao
paisagismo. Novos empreendimentos também vêm sendo anunciados no Rio de Janeiro
e em outros estados brasileiros.
O setor
vive um momento de grande dinamismo. Enquanto novos parques surgem, os
empreendimentos mais tradicionais investem continuamente na ampliação de suas
atrações, na melhoria da infraestrutura e na qualificação da experiência
oferecida aos visitantes, fortalecendo toda a cadeia produtiva da floricultura.
As flores e
plantas ornamentais deixaram de ser apenas produtos agrícolas ou elementos de
decoração para se consolidarem também como importantes atrativos turísticos.
Paisagismo, jardinagem, coleções botânicas e jardins temáticos movimentam
visitantes, geram empregos, estimulam o comércio local e valorizam as regiões
onde estão inseridos.
E as
oportunidades não param por aí. Além dos parques e jardins, cresce o interesse
por visitas guiadas a viveiros de produção, propriedades rurais, centros
atacadistas e demais espaços que respiram natureza e revelam os bastidores da
floricultura.
O verde
está em alta. Nas mãos de profissionais qualificados, ele movimenta milhões de
reais, atrai turistas de todas as partes e desperta emoções que fazem do
turismo de flores uma das mais promissoras tendências do setor.

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