08 julho 2026

O paisagismo contribui para uma melhor qualidade de vida

 “O paisagismo contribui para uma melhor qualidade de vida”


Com quatro décadas de atuação e formação na Espanha, o catalão Jordi Castan é um

dos mais experientes profissionais dedicados ao paisagismo na região. À frente da

Boavista Arquitetura Paisagista, com centenas de trabalhos desenvolvidos na área,

Jordi renovou a parceria com o Grupo Plaenge, a maior construtora do Sul do país, para

o novo empreendimento da marca de alto padrão em Joinville, a ser lançado em breve.

Nesta entrevista, salienta que o paisagismo tem se tornando cada vez mais

protagonista em projetos de construção. Segundo ele, em números, um paisagismo

qualificado agrega até 20% de valor a um empreendimento. Falando em tendências,

reforça: “A mesmice saiu de moda”.


Como você avalia a atenção do setor de construção, hoje em dia, ao paisagismo,

especialmente em grandes centros urbanos? A importância desse tema vem

aumentando?

A pandemia marcou um diferencial no mercado. Todos despertamos para a

necessidade de estabelecer uma melhor relação com a natureza, e o verde passou a

estar mais presente. Frente a cidades cada vez mais cinzentas e ambientes urbanos

hostis, o paisagismo contribui de forma definitiva com uma melhor qualidade de vida.

Isso surgiu primeiro de uma demanda do consumidor, e imediatamente como uma

resposta do mercado.

Que valor um paisagismo bem planejado agrega a um projeto residencial?

Se a pergunta é valor econômico, a resposta é entre 15% e 20%. Empreendimentos

que contem com bons projetos de paisagismo agregam valor ao produto. Mas se a

pergunta é qualidade de vida, aí o valor é maior, porque todos queremos morar em

ambientes que nos inspirem, que nos motivem a chegar em casa, que nos produzam a

sensação de bem-estar.  Não estamos falando de algo que é subjetivo; é palpável,

perceptível, e, do mesmo modo que o mercado responde bem a bons projetos,

também responde e rejeita projetos que não promovem qualidade de vida. Não é por

acaso que determinados empreendimentos são comercializados mais rapidamente e

se valorizam mais que outros.


Quais as principais tendências, nesta área, e como é possível inovar preservando a

autenticidade dos projetos e a conexão com a biodiversidade regional?

O natural não é nem modismo, nem tendência, é necessidade vital. O sentir, viver,

vibrar, se emocionar são diferenciais. A mesmice saiu de moda. Materiais naturais,

cores quentes, ambientes para ser vividos são o que as pessoas buscam. Frente à

frieza, à impessoalidade, o cinza, a neutralidade que não acolhe, as pessoas hoje

buscam calor, identidade, singularidade e autenticidade. A riqueza vegetal e a

diversidade da nossa flora são uma parte importante dos nossos projetos e respondem

como vivemos e sentimos nosso trabalho.

Importante reforçar que o paisagismo, em geral, está inserido em um território, um

microclima, um ambiente, e cada projeto é único. Por isso é necessário conhecer a

realidade de cada local, de cada cidade. Não se pode fazer um paisagismo que sirva

para todos os lugares, uma abordagem generalista não cria o vínculo que um projeto

precisa ter com o local e o indivíduo. 


Como será sua atuação no novo projeto da Plaenge em Joinville?

Nossa atuação será de curadoria. Quarenta anos de experiência nos permitem

contribuir para que o resultado final seja o ideal. Nossa relação profissional com o

Grupo Plaenge já é longa no tempo. Já são quase dez projetos desenvolvidos no

período em que o grupo entrou com pé firme no mercado de Joinville. Fomos a

primeira opção de atendimento em paisagismo e seguimos com essa parceria firme. A

Plaenge preza pela qualidade, é um cliente exigente, e por outro lado está sempre

aberta a contribuições e melhorias que valorizem os seus empreendimentos, por isso

nos entendemos muito bem.

Os projetos priorizam o bem-estar, a qualidade de vida e valorizam ambientes verdes,

sustentáveis em que as pessoas se sintam bem. Não há uma preocupação meramente

estética, há um desejo de criar diferenciais que sejam percebidos por todos. Neste

sentido, o paisagismo tem ganhado protagonismo e segue sendo um dos pontos fortes

dos projetos em que temos participado.


Assessoria de imprensa Plaenge em Santa Catarina. Jornalista responsável: Guilherme

Diefenthaeler (reg. prof. 6207/RS). WhatsApp. (47) 98403-2745.

15 junho 2026

Mais flores, mais verde… e mais negócios


Que o verde é vida, já sabemos. Mas o que ainda precisamos comunicar com mais força é que o verde também movimenta a economia, impulsiona negócios e transforma cidades em ambientes mais humanos, atrativos e rentáveis.

O impacto positivo da arborização urbana e do paisagismo vai muito além da estética. Árvores, flores e áreas verdes exercem influência direta sobre o comportamento das pessoas, criando ambientes mais agradáveis, acolhedores e favoráveis ao consumo. Hoje, já existem diversos estudos que comprovam que ruas arborizadas estimulam o comércio local, aumentam o fluxo de pedestres e valorizam regiões inteiras.

Em áreas com boa arborização, as pessoas caminham mais devagar, permanecem mais tempo nos espaços urbanos e tendem a aproveitar melhor a experiência de compra. O ambiente verde reduz o estresse, melhora a sensação de bem-estar e torna o consumidor mais receptivo aos estímulos ao redor — especialmente vitrines, fachadas e produtos expostos.

Pesquisas apontam que consumidores estão dispostos a gastar entre 8% e 12% a mais em locais considerados agradáveis e visualmente atrativos. Ou seja: ambientes mais verdes não apenas aumentam a circulação de pessoas, mas também elevam o ticket médio e fortalecem o varejo.

Em países tropicais como o Brasil, os benefícios tornam-se ainda mais evidentes. Ruas arborizadas podem reduzir a temperatura local entre 5°C e 10°C, tornando os deslocamentos a pé muito mais confortáveis. As árvores oferecem sombra, proteção contra o calor intenso e até abrigo em momentos de garoa leve, incentivando a permanência das pessoas nas áreas comerciais mesmo em condições climáticas menos favoráveis.

Além do impacto econômico imediato, existe também uma importante valorização imobiliária. Regiões arborizadas costumam ser associadas a qualidade de vida, sofisticação e planejamento urbano, atraindo investimentos, novos empreendimentos, boutiques, cafés e marcas premium. O verde agrega valor ao entorno e fortalece a identidade dos espaços urbanos.

Outro aspecto cada vez mais relevante é o potencial visual desses ambientes. O contraste entre natureza e arquitetura cria cenários atrativos, modernos e altamente compartilháveis nas redes sociais — os chamados espaços “instagramáveis” — gerando divulgação espontânea e fortalecendo a imagem dos estabelecimentos e das cidades.

Diante de tantos benefícios econômicos, sociais e ambientais, fica uma reflexão importante: se o nosso setor agrega tanto valor à sociedade, por que ainda divulgamos tão pouco a importância de investir mais em verde, flores e qualidade de vida?

Com o crescimento das cidades e a transição de uma vida mais ligada ao campo para uma rotina essencialmente urbana, a sociedade passou, gradativamente, a se distanciar da natureza. Mudaram-se os hábitos, a alimentação, a forma de morar, de conviver e até mesmo de se relacionar com os espaços ao redor. Em meio à evolução tecnológica e ao ritmo acelerado das grandes cidades, criamos estruturas e ferramentas que, muitas vezes, acabam nos isolando completamente do meio natural.



Romper esse distanciamento imposto pelos centros urbanos exige uma nova consciência sobre a relação entre desenvolvimento e natureza. É fundamental ampliar o entendimento sobre os processos que envolvem o crescimento das cidades e das construções, desde a escolha dos terrenos até os métodos construtivos adotados, incorporando práticas mais sustentáveis, humanas e integradas ao meio ambiente.

Talvez esteja na hora de comunicarmos com ainda mais força aquilo que nós já sabemos há muito tempo: o verde não é apenas paisagismo. O verde é desenvolvimento, bem-estar e oportunidade.

11 março 2026

Projeto Espaço de Exposição permanente de Flores e Plantas Ornamentais em Arujá SP

 Projeto Espaço de Exposição permanente de Flores e Plantas Ornamentais em Arujá SP

A AFLORD (Associação de Produtores de Flores de Arujá e Região da Dutra) foi contemplada com o projeto CPL (Cadeias Produtivas Locais) da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.


Nosso escritório participou com outros escritórios e venceu o projeto do Parque Permanente de Flores e Plantas. No dia 2 de março foi apresentado o Estudo Preliminar para validação pela AFLORD e foi feito o lançamento da CPL e a assinatura do Termo de Cooperação Tecnica entre a Prefeitura de Arujá e a AFLORD para viabilizar o projeto.

Assinatura do Termo de cooperação entre AFLORD e a Prefeitura Municipal.

Apresentação do Estudo Preliminar em reunião da AFLORD com seus associados.


Apresentação do Parque Hemero como modelo de parque privado de referencia e que permitirá uma transferência eficiente do modelo de gestão e operação do parque permanente.


A entrega do projeto executivo esta prevista para o dia 8 de abril na sede da AFLORD

10 março 2026

Faltam jardineiros e paisagistas


Sim, faltam jardineiros. Há uma escassez crescente de jardineiros e de bons paisagistas no Brasil. Este, porém, não é um problema exclusivo do nosso setor. Diversas áreas enfrentam hoje uma distorção semelhante na formação e na distribuição de profissionais qualificados — e a situação tende a se agravar.

 No setor da saúde, por exemplo, o Brasil conta atualmente com cerca de 600 mil médicos e 700 mil enfermeiros, uma proporção de aproximadamente 1,2 enfermeiro para cada médico. Com a expansão dos cursos de medicina e a abertura de novas faculdades, projeta-se que, até 2030, o país poderá ter mais médicos do que enfermeiros — um cenário que claramente não faz sentido do ponto de vista da estrutura do sistema de saúde. Para comparação, no Reino Unido há cerca de 7,2 enfermeiros por médico, e nos Estados Unidos a proporção é de 4,6 enfermeiros para cada médico.

 No paisagismo brasileiro, vivemos algo semelhante: um verdadeiro apagão de mão de obra quando se trata de jardineiros. E aqui vale destacar o termo sem aspas e com letra maiúscula — Jardineiros de verdade.

 Enquanto existem diversos cursos que formam “paisagistas” — alguns mais estruturados, outros bastante superficiais, com cargas horárias que variam de poucas horas a programas mais consistentes — praticamente não existem propostas sérias de formação voltadas especificamente para jardineiros.

Refiro-me a profissionais que vão muito além de simplesmente cortar grama. Jardineiros que saibam podar corretamente cada planta, respeitando sua forma e época adequada; que compreendam como preparar um canteiro; que conheçam o tamanho correto da cova para o plantio de um arbusto, de uma arvoreta ou de uma árvore; que saibam instalar tutores e realizar a manutenção adequada de cada planta e de cada jardim.

 Esses profissionais estão desaparecendo do mercado.

 Muitos se aposentaram, levando consigo um conhecimento acumulado ao longo de décadas — um saber prático que, infelizmente, não está sendo transmitido às novas gerações. Outros passaram por uma espécie de “requalificação” informal e passaram a se apresentar como paisagistas, sem necessariamente possuir a formação ou o conhecimento necessário para exercer essa função.

 Esse cenário representa um risco para todo o setor. De um lado, enfrentamos a escassez de mão de obra qualificada e experiente. De outro, vemos surgir profissionais que se apresentam como paisagistas sem a formação adequada e que, muitas vezes, sofrem do que a psicologia chama de ilusão do conhecimento.

 Esse fenômeno ocorre quando uma pessoa acredita compreender um assunto de forma muito mais profunda do que realmente compreende. O conceito é frequentemente confundido com o chamado Efeito Dunning-Kruger, mas existe uma diferença sutil: enquanto este se refere à incapacidade de reconhecer a própria incompetência em determinada habilidade, a ilusão do conhecimento está ligada à dificuldade de perceber que não entendemos plenamente os mecanismos de causa e efeito das coisas ao nosso redor.

 Talvez isso explique por que vemos poucos jardineiros ou paisagistas participando de cursos de formação e aperfeiçoamento. Quando alguém acredita que já sabe tudo, não vê motivo para aprender. No entanto, a realidade é justamente o contrário: nunca deixamos de aprender. Qualquer profissão exige atualização constante, curiosidade e disposição para evoluir.

 Se queremos que o setor de paisagismo continue crescendo com consistência e qualidade, precisaremos formar mais profissionais capacitados — tanto paisagistas quanto, especialmente, jardineiros.

 Caso contrário, poderemos chegar a uma situação paradoxal: ter mais paisagistas do que jardineiros.

 E para quem imagina que a inteligência artificial resolverá esse problema, vale lembrar: a IA não usa enxada para abrir uma cova nem pega a tesoura para realizar a poda correta de uma planta em um jardim.

 Se nada for feito, o mercado poderá acabar se resumindo a operadores de roçadeiras e podadores de buxinhos — enquanto seguirão faltando, cada vez mais, bons jardineiros.




29 dezembro 2025

O jardim do João Gomes

 Por Jordi Castan


Muito se falou sobre a casa do João Gomes em Recife. Arquitetos — e muitos que não o são — comentaram a eira, a beira, o alpendre, a escolha por uma arquitetura honesta, que não disfarça madeira com amadeirado, que tem cor, que utiliza o cobogó como solução de privacidade e conforto térmico que, ao primeiro olhar, se reconhece como casa — não como clínica, escritório ou consultório.

Mas até agora, curiosamente, quase ninguém falou sobre o jardim do João Gomes.

E é impossível imaginar que uma casa com tamanha coerência arquitetônica possa ser cercada por podocarpos, ciprestes ou mini fórnios, por buxinhos podados em bolinhas ou por monsteras sofrendo sob o sol inclemente do Recife. Um jardim desconectado do lugar seria uma contradição.

Se o João Gomes escolher o paisagista certo, seu jardim poderá ter angicos, ceibas e ipês-roxos. Poderá oferecer a sombra generosa dos coqueiros, o som da brisa passando pelas folhas do tataré, a paleta vibrante das bougainvilles e o perfume dos jasmins e das gardênias. Um jardim que dialogue com o clima, com o território e com a cultura.



Nas redes sociais, João Gomes sintetizou esse incômodo de forma direta e potente ao afirmar que “*não quer uma casa com cara de clínica*”, reforçando o desejo por um espaço que seja vivo, acolhedor e verdadeiro. Esse posicionamento, simples e sincero, ganhou enorme repercussão justamente por tocar em uma questão sensível e atual: a perda de identidade na arquitetura e, por consequência, no paisagismo.

O debate sobre paisagismo com identidade não é novo neste espaço. No entanto, a fala de João Gomes trouxe uma atualidade inesperada ao tema. Se não fosse um artista de tamanha visibilidade, provavelmente sua reflexão não teria alcançado tamanha repercussão — o que diz muito sobre como ainda resistimos a discutir esse assunto com a profundidade necessária.

É importante não confundir *identidade* com *regionalismo*, embora estejam intimamente relacionados. Arquitetura e paisagismo se inserem, inevitavelmente, em um território, em um clima, em um entorno natural e construído. Não há como separar esses elementos. Tampouco se deve confundir identidade com gosto pessoal.

Identidade é o que somos, individual e coletivamente. Não é fixa, não pode ser rotulada nem estereotipada. Ela se constrói a partir da cultura, dos saberes, da história e das características que nos tornam únicos. Sem identidade, tornamo-nos uma sociedade genérica, cercada por coisas que parecem, mas não são. A identidade é o que nos torna autênticos. 

O gosto é individual. Mas é lamentável perceber que a mediocridade tem se imposto como regra, inclusive em condomínios de alto padrão, onde a padronização do “não destoar” gera casas entediantes, arquitetura apática e paisagismo submisso a modelos rígidos de mediania. O resultado é uma monotonia monocromática, a repetição infinita de materiais genéricos, texturas previsíveis e plantas escolhidas mais pela moda do que pelo sentido. Um cenário que se afasta da liberdade criativa que projetou o Brasil — e seus arquitetos e paisagistas — como referência internacional.



Se essa tendência se consolidar, e se vozes como a de João Gomes deixarem de se manifestar, o futuro será pálido, triste e sem graça. Felizmente, ainda contamos com profissionais dispostos a nadar contra a corrente, projetando jardins diversos, ricos, coloridos e profundamente conectados ao lugar — jardins que atendem aos desejos de clientes exigentes e conscientes.

Para quem ainda não assistiu, vale conferir o depoimento completo de João Gomes sobre sua casa e suas escolhas:

👉 https://www.instagram.com/reels/DSIyqBSks3Q/