11 março 2026

Projeto Espaço de Exposição permanente de Flores e Plantas Ornamentais em Arujá SP

 Projeto Espaço de Exposição permanente de Flores e Plantas Ornamentais em Arujá SP

A AFLORD (Associação de Produtores de Flores de Arujá e Região da Dutra) foi contemplada com o projeto CPL (Cadeias Produtivas Locais) da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.


Nosso escritório participou com outros escritórios e venceu o projeto do Parque Permanente de Flores e Plantas. No dia 2 de março foi apresentado o Estudo Preliminar para validação pela AFLORD e foi feito o lançamento da CPL e a assinatura do Termo de Cooperação Tecnica entre a Prefeitura de Arujá e a AFLORD para viabilizar o projeto.

Assinatura do Termo de cooperação entre AFLORD e a Prefeitura Municipal.

Apresentação do Estudo Preliminar em reunião da AFLORD com seus associados.


Apresentação do Parque Hemero como modelo de parque privado de referencia e que permitirá uma transferência eficiente do modelo de gestão e operação do parque permanente.


A entrega do projeto executivo esta prevista para o dia 8 de abril na sede da AFLORD

10 março 2026

Faltam jardineiros e paisagistas


Sim, faltam jardineiros. Há uma escassez crescente de jardineiros e de bons paisagistas no Brasil. Este, porém, não é um problema exclusivo do nosso setor. Diversas áreas enfrentam hoje uma distorção semelhante na formação e na distribuição de profissionais qualificados — e a situação tende a se agravar.

 No setor da saúde, por exemplo, o Brasil conta atualmente com cerca de 600 mil médicos e 700 mil enfermeiros, uma proporção de aproximadamente 1,2 enfermeiro para cada médico. Com a expansão dos cursos de medicina e a abertura de novas faculdades, projeta-se que, até 2030, o país poderá ter mais médicos do que enfermeiros — um cenário que claramente não faz sentido do ponto de vista da estrutura do sistema de saúde. Para comparação, no Reino Unido há cerca de 7,2 enfermeiros por médico, e nos Estados Unidos a proporção é de 4,6 enfermeiros para cada médico.

 No paisagismo brasileiro, vivemos algo semelhante: um verdadeiro apagão de mão de obra quando se trata de jardineiros. E aqui vale destacar o termo sem aspas e com letra maiúscula — Jardineiros de verdade.

 Enquanto existem diversos cursos que formam “paisagistas” — alguns mais estruturados, outros bastante superficiais, com cargas horárias que variam de poucas horas a programas mais consistentes — praticamente não existem propostas sérias de formação voltadas especificamente para jardineiros.

Refiro-me a profissionais que vão muito além de simplesmente cortar grama. Jardineiros que saibam podar corretamente cada planta, respeitando sua forma e época adequada; que compreendam como preparar um canteiro; que conheçam o tamanho correto da cova para o plantio de um arbusto, de uma arvoreta ou de uma árvore; que saibam instalar tutores e realizar a manutenção adequada de cada planta e de cada jardim.

 Esses profissionais estão desaparecendo do mercado.

 Muitos se aposentaram, levando consigo um conhecimento acumulado ao longo de décadas — um saber prático que, infelizmente, não está sendo transmitido às novas gerações. Outros passaram por uma espécie de “requalificação” informal e passaram a se apresentar como paisagistas, sem necessariamente possuir a formação ou o conhecimento necessário para exercer essa função.

 Esse cenário representa um risco para todo o setor. De um lado, enfrentamos a escassez de mão de obra qualificada e experiente. De outro, vemos surgir profissionais que se apresentam como paisagistas sem a formação adequada e que, muitas vezes, sofrem do que a psicologia chama de ilusão do conhecimento.

 Esse fenômeno ocorre quando uma pessoa acredita compreender um assunto de forma muito mais profunda do que realmente compreende. O conceito é frequentemente confundido com o chamado Efeito Dunning-Kruger, mas existe uma diferença sutil: enquanto este se refere à incapacidade de reconhecer a própria incompetência em determinada habilidade, a ilusão do conhecimento está ligada à dificuldade de perceber que não entendemos plenamente os mecanismos de causa e efeito das coisas ao nosso redor.

 Talvez isso explique por que vemos poucos jardineiros ou paisagistas participando de cursos de formação e aperfeiçoamento. Quando alguém acredita que já sabe tudo, não vê motivo para aprender. No entanto, a realidade é justamente o contrário: nunca deixamos de aprender. Qualquer profissão exige atualização constante, curiosidade e disposição para evoluir.

 Se queremos que o setor de paisagismo continue crescendo com consistência e qualidade, precisaremos formar mais profissionais capacitados — tanto paisagistas quanto, especialmente, jardineiros.

 Caso contrário, poderemos chegar a uma situação paradoxal: ter mais paisagistas do que jardineiros.

 E para quem imagina que a inteligência artificial resolverá esse problema, vale lembrar: a IA não usa enxada para abrir uma cova nem pega a tesoura para realizar a poda correta de uma planta em um jardim.

 Se nada for feito, o mercado poderá acabar se resumindo a operadores de roçadeiras e podadores de buxinhos — enquanto seguirão faltando, cada vez mais, bons jardineiros.




29 dezembro 2025

O jardim do João Gomes

 Por Jordi Castan


Muito se falou sobre a casa do João Gomes em Recife. Arquitetos — e muitos que não o são — comentaram a eira, a beira, o alpendre, a escolha por uma arquitetura honesta, que não disfarça madeira com amadeirado, que tem cor, que utiliza o cobogó como solução de privacidade e conforto térmico que, ao primeiro olhar, se reconhece como casa — não como clínica, escritório ou consultório.

Mas até agora, curiosamente, quase ninguém falou sobre o jardim do João Gomes.

E é impossível imaginar que uma casa com tamanha coerência arquitetônica possa ser cercada por podocarpos, ciprestes ou mini fórnios, por buxinhos podados em bolinhas ou por monsteras sofrendo sob o sol inclemente do Recife. Um jardim desconectado do lugar seria uma contradição.

Se o João Gomes escolher o paisagista certo, seu jardim poderá ter angicos, ceibas e ipês-roxos. Poderá oferecer a sombra generosa dos coqueiros, o som da brisa passando pelas folhas do tataré, a paleta vibrante das bougainvilles e o perfume dos jasmins e das gardênias. Um jardim que dialogue com o clima, com o território e com a cultura.



Nas redes sociais, João Gomes sintetizou esse incômodo de forma direta e potente ao afirmar que “*não quer uma casa com cara de clínica*”, reforçando o desejo por um espaço que seja vivo, acolhedor e verdadeiro. Esse posicionamento, simples e sincero, ganhou enorme repercussão justamente por tocar em uma questão sensível e atual: a perda de identidade na arquitetura e, por consequência, no paisagismo.

O debate sobre paisagismo com identidade não é novo neste espaço. No entanto, a fala de João Gomes trouxe uma atualidade inesperada ao tema. Se não fosse um artista de tamanha visibilidade, provavelmente sua reflexão não teria alcançado tamanha repercussão — o que diz muito sobre como ainda resistimos a discutir esse assunto com a profundidade necessária.

É importante não confundir *identidade* com *regionalismo*, embora estejam intimamente relacionados. Arquitetura e paisagismo se inserem, inevitavelmente, em um território, em um clima, em um entorno natural e construído. Não há como separar esses elementos. Tampouco se deve confundir identidade com gosto pessoal.

Identidade é o que somos, individual e coletivamente. Não é fixa, não pode ser rotulada nem estereotipada. Ela se constrói a partir da cultura, dos saberes, da história e das características que nos tornam únicos. Sem identidade, tornamo-nos uma sociedade genérica, cercada por coisas que parecem, mas não são. A identidade é o que nos torna autênticos. 

O gosto é individual. Mas é lamentável perceber que a mediocridade tem se imposto como regra, inclusive em condomínios de alto padrão, onde a padronização do “não destoar” gera casas entediantes, arquitetura apática e paisagismo submisso a modelos rígidos de mediania. O resultado é uma monotonia monocromática, a repetição infinita de materiais genéricos, texturas previsíveis e plantas escolhidas mais pela moda do que pelo sentido. Um cenário que se afasta da liberdade criativa que projetou o Brasil — e seus arquitetos e paisagistas — como referência internacional.



Se essa tendência se consolidar, e se vozes como a de João Gomes deixarem de se manifestar, o futuro será pálido, triste e sem graça. Felizmente, ainda contamos com profissionais dispostos a nadar contra a corrente, projetando jardins diversos, ricos, coloridos e profundamente conectados ao lugar — jardins que atendem aos desejos de clientes exigentes e conscientes.

Para quem ainda não assistiu, vale conferir o depoimento completo de João Gomes sobre sua casa e suas escolhas:

👉 https://www.instagram.com/reels/DSIyqBSks3Q/

05 novembro 2025

Frutas e PANCs: a nova onda verde nos jardins brasileiros


A onda verde chegou com força — e há espaço para todos que desejam surfar nela. Em meio a visões radicais e discursos apaixonados, há quem defenda o retorno às origens, quem pregue o cultivo apenas de espécies nativas e quem veja a sustentabilidade como um estilo de vida. Mas também há os que acreditam, como nós, na convivência harmônica entre diferentes formas de produção: os orgânicos, os bio, os alimentos cultivados com técnica e respeito à terra. O importante é entender que a fruta colhida no ponto certo de maturação, próxima de quem consome, tem uma qualidade é um  sabor incomparável — algo que nenhuma logística de milhares de quilômetros pode reproduzir.

 Esse novo olhar tem influenciado nossos jardins, hortas e pomares, impulsionando projetos paisagísticos mais conscientes. Cada vez mais pessoas desejam incluir frutíferas em seus quintais — seja pelo prazer de colher o que plantaram, seja pelo valor simbólico de cultivar vida. Em nossos projetos, priorizamos espécies nativas como pitangueiras, araçás, grumixamas, cambucas e juçaras, que encantam não apenas pelo sabor, mas também pela beleza das flores, folhas e frutos. Elas alimentam a fauna local, atraem aves e insetos e ajudam a compor espaços mais diversos e ecologicamente equilibrados.

 Por outro lado, somos mais criteriosos quando o pedido é por espécies comuns em quitandas, como laranjeiras ou pessegueiros. Afinal, por que não aproveitar o espaço para cultivar frutas típicas da nossa biodiversidade, como pitangas, jabuticabas, araticuns, abius, pitombas ou frutas-do-conde? O prazer de colher diretamente do pé o que a natureza oferece de forma tão rica é insubstituível.

 Outro movimento que ganha força é o das PANCs — Plantas Alimentícias Não Convencionais. Esse resgate de espécies esquecidas, muitas vezes deixadas de lado pelo mercado e pelo tempo, representa uma retomada de saberes e sabores tradicionais. Incorporar essas plantas nos jardins amplia não apenas o valor ornamental dos espaços, mas também o interesse cultural e gastronômico.

 Reintroduzir PANCs é recuperar conhecimento, memória e identidade. Como nas histórias de famílias que perderam o hábito de colher cogumelos ou identificar espécies comestíveis, também deixamos de lado parte da nossa herança botânica. Graças ao trabalho de pesquisadores, chefs e botânicos, esse patrimônio está sendo redescoberto e valorizado.

 Hoje, o consumo de PANCs — como taioba, ora-pro-nóbis, vinagreira e azedinha — desponta como símbolo de uma alimentação mais saudável, sustentável e conectada às origens. É um movimento que traduz o espírito do nosso tempo: a reaproximação com a natureza e a redescoberta dos valores simples e genuínos.

 Promover pomares de frutas nativas e hortas com PANCs é mais do que uma tendência: é um convite a repensar nossa relação com o alimento, com a terra e com o próprio ato de cultivar.

06 outubro 2025

Jordi Castan faz palestra no Plantarum Summit

 


Paisagista de Joinville foi um dos palestrantes do Plantarum Summit, um dos mais importantes eventos do setor no Brasil. Falando sobre o uso da cor, Jordi Castan destacou que o paisagismo não é estático, mas arte viva.




O que aconteceu à cor no paisagismo? E por que a cor desapareceu da vida cotidiana? Foi a partir dessas reflexões que o paisagista Jordi Castan fez uma palestra no Plantarum Summit 2025, evento realizado no Jardim Botânico Plantarum, em Nova Odessa (SP). É um encontro que todos os anos reúne alguns dos maiores nomes da botânica, paisagismo e jardinagem do Brasil.

 

Tendo a cor como tema central, Jordi Castan falou das tendências mais recentes na arquitetura e no paisagismo, que apontam para tons suaves e menos saturados. E fez um alerta a partir de dados estatísticos. Segundo estudos, os ambientes de trabalho neutros reduzem a produtividade em até 10%, enquanto os ambientes mais alegres, com mais verde e mais cores aumentam a eficiência.

 

Também ressaltou que o excesso de jardins monocromáticos contrasta com a exuberância da natureza brasileira. “Os projetos hoje buscam uma reaproximação com a natureza, e essa é uma tendência que veio para ficar. A pandemia mudou muitas coisas e uma delas é a necessidade que o ser humano tem de estar mais em contato com o verde, com as plantas e com a natureza”, defendeu Castan.

 

O paisagista admite que as paletas mais neutras transmitem calma e elegância, mas alerta para o risco de empobrecer a experiência estética. Destacou que, num país como o Brasil, a própria natureza e a cultura são ricas em cores vivas. Jordi Castan acrescentou ainda que o paisagismo não deve temer as cores intensas, vivas ou vibrantes. Não é apenas decoração, mas uma questão de identidade, defendeu.

 

Num auditório lotado por especialistas do setor, a palestra fez parte do ciclo “Conectando Natureza, Ciência e Paisagismo”. O paisagista finalizou a intervenção expondo um conceito de trabalho. “O paisagismo é arte. A expressão artística que se desenvolve ao longo de mais tempo, que é dinâmica, mutante e em constante evolução. Não se mantém estática. É arte viva”, defendeu o criador da Boavista Arquitetura Paisagista.